Na noite desta sexta-feira (4), o Corinthians se posicionou oficialmente sobre um suposto aumento de R$ 700 milhões na dívida bruta do clube. Em nota oficial, o Timão se mostrou surpreso com as últimas notícias veiculadas e adiantou alguns dados do balanço que será divulgado posteriormente – leia a nota completa abaixo.
De acordo com a diretoria do clube do Parque São Jorge, o aumento da dívida se dá por dois fatores, sendo R$ 400 milhões gerados pela atual gestão de Augusto Melo e outros R$ 300 milhões por conta de juros relativos a dívidas de gestões anteriores. Além disso, a diretoria ainda informou que dívidas de antigas gestão serão reconhecidas no documento.
O clube também aproveitou para apresentar futuros destaques do próximo balanço, como a previsão de receita e EBITDA recordes na história do clube, além do resultado operacional gerencial próximo de zero.
Outra parte importante da nota divulgada pelo Timão foi a questão de quem esteve presente na reunião realizada pelo Conselho de Orientação (CORI) da última quinta (3). De acordo com o clube, “nenhum membro da Diretoria foi convidado ou formalmente convocado para participar da referida reunião” e que apenas os “funcionários Lúcio Blanco e Vinicius Manfredi foram convidados a participar da reunião, enquanto o diretor financeiro Pedro Silveira e seu time, demonstrando total disposição ao diálogo, permaneceram por mais de três horas e meia na sede do Clube Social, sem jamais serem chamados.”
Veja nota oficial do Corinthians
A Diretoria do Sport Club Corinthians Paulista recebeu com surpresa a matéria divulgada pelo portal Central do Timão, referente à reunião do Conselho de Orientação (CORI).
Para esclarecimento, nenhum membro da Diretoria foi convidado ou formalmente convocado para participar da referida reunião. A secretaria da presidência recebeu apenas um whatsapp informando que a reunião aconteceria, e, diante disso, a Diretoria Jurídica encaminhou um ofício solicitando a presença de alguns integrantes da gestão no local, com o objetivo de esclarecer os temas que seriam tratados. Esses representantes estiveram presentes, mas foram informados de que seriam chamados no momento oportuno. Apenas os funcionários Lúcio Blanco e Vinicius Manfredi foram convidados a participar da reunião, enquanto o diretor financeiro Pedro Silveira e seu time, demonstrando total disposição ao diálogo, permaneceram por mais de três horas e meia na sede do Clube Social, sem jamais serem chamados.
O Secretário do CORI enviou um e-mail durante a reunião, precisamente às 22:55, 4 horas após o inicio da reunião, e incluindo apenas a secretária do Presidente no e-mail. Esse mesmo e-mail foi encaminhado pelo secretário do CORI aos diretores e ao Presidente apenas depois da Matéria estar na imprensa.
Na segunda-feira anterior à reunião (31), o Diretor Financeiro Pedro Silveira enviou um e-mail com a prévia do orçamento ao presidente e ao secretário do CORI, solicitando uma reunião para quinta-feira (03), com o intuito de tratar de temas sensíveis relacionados às contingências apontadas pela auditoria. Até o momento da publicação desta nota, o e-mail não havia sido respondido.
Na própria quinta-feira (03), Pedro Silveira procurou pessoalmente o secretário do CORI, solicitando a participação na reunião. Explicou a relevância do tema e pediu apenas 15 minutos para apresentar os pontos necessários. A Diretoria Financeira permaneceu à disposição no clube, aguardando um chamado que nunca ocorreu.
O mesmo e-mail foi encaminhado aos membros do Conselho Fiscal, que prontamente responderam e agendaram uma reunião para quinta-feira (03), às 18h. Nesse encontro, realizado entre a Diretoria Financeira, o Conselho Fiscal e os auditores, foram debatidas as divergências relacionadas às contingências de 2023, bem como os elevados passivos herdados de gestões anteriores à atual, que podem impactar o balanço do exercício. A Diretoria também solicitou orientações quanto à melhor forma de apresentar o balanço de 2024 e à possível reabertura do balanço de 2023 — tema que ainda está em análise.
Vale destacar que, conforme o Estatuto Social do Clube, compete ao Conselho Fiscal, nos termos do artigo 102, parágrafo D, “representar ao CORI sobre assuntos financeiros do Corinthians”.
Embora a reunião com o Conselho Fiscal tenha sido extremamente produtiva, a Diretoria esperava a mesma abertura de diálogo com o CORI, órgão responsável por orientar a gestão vigente — o que, infelizmente, ainda não ocorreu.
Adiantamos que o balanço de 2024 do Corinthians apresentará:
- • Receita recorde na história do Clube;
- • EBITDA recorde na história do Clube;
- • Resultado operacional gerencial próximo de zero;
- • Aumento da dívida, com impacto gerencial da atual gestão estimado em cerca de R$ 400 milhões;
- • Pagamento de juros em 2024 próximo a R$ 300 milhões, relativos a dívidas de gestões anteriores;
- • Reconhecimento, no balanço, de dívidas herdadas de gestões passadas que não estavam contabilizadas anteriormente.
A Diretoria ressalta que esses são dados preliminares, e que o balanço oficial e auditado será divulgado em breve.
Além disso, toda a Diretoria tem adotado medidas relevantes para reestruturar o perfil da dívida do Clube, como a adesão ao programa de Recuperação do Crédito Esportivo (RCE), o processo junto à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) e a renegociação tributária em curso com a PGFN. Essas ações visam à redução e reorganização da dívida, especialmente diante de um cenário de elevação da taxa Selic, que torna sua administração ainda mais desafiadora.
É importante ressaltar que a Diretoria Executiva alertou recentemente o CORI sobre o aumento da taxa de juros e o atual perfil da dívida, solicitando que todos os órgãos colaborem na construção de soluções em prol do Corinthians.
A Diretoria reafirma seu compromisso com a transparência, a responsabilidade fiscal e a construção de um Corinthians mais forte e sustentável.